Horas após anunciar a candidatura 'pelas mulheres', o partido apagou o vídeo de Dado Dolabella das redes sociais.

Conhecido por vencer o reality show A Fazenda e por estampar o noticiário com episódios de violência contra ex-namoradas, o ator Dado Dolabella anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo MDB do Rio de Janeiro.
Em vídeo publicado ao lado do presidente estadual da sigla, Washington Reis, Dolabella afirmou que sua entrada na política busca "restabelecer o equilíbrio na família" e a defesa de "crianças e mulheres".
A publicação, no entanto, foi apagada das redes sociais de Reis pouco tempo após a divulgação.
No vídeo, Dolabella não detalhou propostas específicas, limitando-se a dizer que pretende lutar contra "coisas erradas" que estariam acontecendo na sociedade atual.
Questionada sobre o anúncio de Dolabella, sua ex-companheira e vítima de agressões, a atriz Luana Piovani, manifestou-se chamando-o de "aborto da natureza" e questionando o seu histórico criminal.
“Tem que aprender a votar (...). Esse aborto da natureza é candidato? É só não votar nele”, afirmou. A atriz continuou: “Como é que pode uma pessoa que tem processo criminal se candidatar a um cargo público? Uma pessoa que não paga pensão, um agressor. Mas no Brasil tudo pode”.
Após a repercussão sobre sua candidatura, o ator foi às redes sociais para se manifestar.
“Eu não estou entrando nisso por vaidade, eu estou entrando porque vivi na pele o que é ser injustiçado. E quando você passa por isso, você entende que não é sobre homem contra mulher, é sobre qualquer pessoa que se sente esmagada por um sistema que deveria proteger. A minha bandeira é clara: é defender quem não tem voz”, afirmou Dolabella.
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O discurso de defesa das mulheres adotado pelo ator contrasta com um histórico de processos e condenações por violência doméstica.
O caso mais emblemático ocorreu em 2008, quando Dolabella foi condenado por agredir a então noiva, a atriz Luana Piovani.
A lista de acusações e medidas judiciais contra o agora pré-candidato inclui:
Viviane Sarahyba: em 2010, a ex-esposa do ator obteve medidas protetivas após relatar agressões físicas durante o relacionamento;
Condenação em regime aberto: em agosto de 2025, a Justiça do Rio condenou Dolabella a 2 anos e 4 meses de detenção por agredir uma ex-namorada (que também é sua prima);
Caso Marcela Tomaszewski: recentemente, a modelo e ex-miss denunciou o ator por agressão física e psicológica. Após inicialmente negar o ocorrido por medo, Marcela expôs hematomas e buscou proteção legal, deixando o país em seguida.
A filiação ocorre em um momento em que partidos buscam nomes de alta visibilidade midiática para conseguir votos.
No entanto, a rápida exclusão do vídeo de anúncio sugere um impasse interno sobre o desgaste que o histórico de Dolabella pode trazer à imagem do partido no Rio de Janeiro.
Até o momento, a assessoria de Dado Dolabella não se pronunciou sobre como o ator pretende conciliar seu discurso de campanha com as condenações que sofreu.
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