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Dossiê secreto revela como a BBC distorceu fatos para atacar Trump e apoiar o Hamas

A BBC demitiu o diretor geral e a chefe de notícias, enquanto mantém que é a “organização mais confiável”

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
BBC
Fonte da imagem: Al Jazeera

Um novo dossiê mostra como a BBC manipulou informações que quase levaram Trump à cadeia. Revelado em começos de novembro, o dossiê expôs que a emissora teria manipulado um discurso de Donald Trump para fazê-lo parecer incitar violência.

O dossiê, publicado pelo jornal The Telegraph, provocou uma das maiores crises na BBC. As informações vieram do Michael Prescott, ex-conselheiro editorial da emissora, que deixou seu cargo em junho de 2025.

Após a publicação do dossiê, o próprio presidente Donald Trump reagiu com críticas à BBC, chamando-a de “corrupta” e “desonesta”. As críticas do republicano levaram à demissão do diretor geral Tim Davie e a chefe de notícias Deborah Turness.

Davie disse sobre sua demissão: “Em geral, a BBC está mandando bem, mas aconteceram vários erros e como diretor geral devo assumir a maior responsabilidade”

O que mostra o dossiê da BBC? 

O caso mais grave envolve Panorama, o programa investigativo da BBC. Pouco antes das eleições americanas de 2024, foi ao ar o episódio “Trump: A Second Chance?” (Trump: Uma Segunda Chance?) em que, segundo Prescott, os produtores editaram falas de Donald Trump em um discurso de 2021.

A edição conecta frases ditas com quase uma hora de diferença. O resultado dava a entender que o ex-presidente incitava seus apoiadores a “lutar como o inferno” durante a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, algo que ele nunca disse.

“Se jornalistas podem editar vídeos para fazer pessoas ‘dizerem’ coisas que não disseram, o que resta da confiança pública?”, escreveu Prescott em seu relatório.

Prescott também denunciou que o canal árabe da BBC vinha “abrindo espaço desproporcional para a versão do Hamas”, omitindo o caráter terrorista do grupo. 

Em um documentário sobre Gaza, a emissora contratou como narrador o próprio filho de um ministro do Hamas sem informar ao público. 

O repórter recebeu pagamento da BBC, e a produção foi defendida pela então chefe de jornalismo, Deborah Turness, sob o argumento de que o pai do narrador “não pertencia à ala militar” do grupo.

O problema, como o relatório destacou, é que essa distinção não existe: o Hamas é reconhecido como uma organização única e terrorista pelo Reino Unido desde 2021

Para Prescott, a BBC “não apenas falhou em esclarecer o público, ela ajudou a normalizar uma organização genocida sob o rótulo de autoridade política legítima”.

Entenda a linha de tempo do caso da BBC

O episódio do Panorama contra Trump foi exibido uma semana antes das eleições americanas de 2024. Internamente, os alertas começaram logo após a transmissão. Prescott relatou o caso aos superiores, mas as respostas foram evasivas. 

“Os executivos pareciam mais preocupados com a imagem da BBC do que com a verdade”, escreveu.

Em junho de 2025, frustrado, ele renunciou ao cargo e enviou um relatório de 19 páginas à diretoria. Sem retorno, encaminhou o documento ao governo britânico. 

Quando o The Telegraph publicou o dossiê em novembro, a crise se tornou pública. Dias depois, o diretor-geral Tim Davie e a chefe de jornalismo Deborah Turness deixaram os cargos.

O presidente da emissora, Samir Shah, reconheceu “erro de julgamento” e admitiu que avalia um pedido formal de desculpas a Trump. 

O governo, por sua vez, anunciou que revisará o modelo de financiamento da BBC e o sistema de cobrança compulsória da taxa pública.

Quais foram as reações ao dossiê?

A revelação gerou uma reação em cadeia. Donald Trump Jr. chamou a BBC de “fábrica global de fake news”. 

Boris Johnson, ex-primeiro-ministro britânico pelo Partido Conservador, classificou o episódio como “uma vergonha nacional”. 

Nigel Farage, líder do partido Reform UK, acusou a emissora de “interferência eleitoral”, e parlamentares conservadores pediram investigação formal.

Grupos judaicos também protestaram contra o tratamento dado ao Hamas, acusando a emissora de relativizar o terrorismo. O Campaign Against Antisemitism afirmou que a BBC se transformou em “porta-voz de propaganda disfarçada de jornalismo”.

Em resposta, Samir Shah afirmou que os erros foram “pontuais” e negou qualquer “viés institucional”. 

Para o presidente da emissora, a BBC “permanece a organização mais confiável do Reino Unido”. 

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