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Entenda o polêmico plano de atrair turistas muçulmanos para São Paulo

Em nota, o governo afirma que promove o turismo ligado a diversas religiões, como catolicismo, judaísmo, protestantismo e budismo. Nas redes sociais, influenciadores criticam a medida e apontam risco de “islamização do Brasil”.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Reunião que acabou com o acordo para fazer um plano de turismo voltado para muçulmanos em São Paulo
Fonte da imagem: Halal News

O governo Tarcísio de Freitas assinou uma parceria com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS) para fortalecer o turismo muçulmano em São Paulo

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla, que envolve acordos com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira para aumentar os investimentos de países árabes

A proposta inclui desde a preparação de hotéis, restaurantes até a produção de materiais com orientações culturais e religiosas.

Um dos pontos foi a abertura do primeiro hotelmuslim friendly”, voltado para muçulmanos, certificado da América Latina, com adaptações como alimentação específica, ausência de álcool e preparação para orações.

Em nota, o governo de São Paulo afirmou que também fomenta o turismo ligado a outras religiões. Destacou ainda que “o segmento de turismo religioso movimenta R$ 15 bilhões por ano e 17,7 milhões de viajantes.”

Plano também prevê levar o islã ao sistema educacional

Segundo o secretário de Turismo de São Paulo, Roberto Lucena, a proposta vai além do setor econômico e também deve levar a religião para as escolas:

O governo do estado tem investido em parceria com a FAMBRAS na capacitação do nosso trade turístico, mas temos também envolvido a Secretaria de Educação, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa no sentido de que nós possamos levar essas iniciativas também para a nossa rede estadual de ensino e para o nosso sistema estadual de cultura.”

O projeto tem causado polêmica nas redes sociais, com muitas pessoas alertando para os riscos da iniciativa levar a um grande aumento do islã no Brasil

Políticas pró-islã preocupam a internet

Um dos principais nomes que comentaram o tema foi Bernardo P. Kuster. Ele destacou que o projeto não fica apenas na economia, mas procura levar o ensino do islã para as escolas:

Segundo o secretário de turismo de São Paulo, Roberto Lucena, isso envolve secretaria de educação, secretaria de cultura e economia criativa. Como assim? Por pretextos econômicos apenas, Tarcísio quer que se ensine o Islã nas escolas e se divulgue culturalmente essa religião?

Kuster seguiu comparando a situação com a Europa, onde o Islã tem crescido e causando problemas sociais:

Eles não estão olhando pra Europa, não?... A presença islâmica nunca começa com imigração ilegal em massa como na Europa. É uma dominação sempre por cima. Primeiro, elites econômicas e políticas abrem as portas por interesse financeiro.”

Em países europeus, como a França, o aumento da população muçulmana tem causado  problemas sociais e de identidade, além de alimentar o debate sobre imigração.

Secretário de turismo defende medida como “gesto de irmandade”

Apesar das críticas de influenciadores e figuras de direita nas redes sociais, o secretário do Turismo de São Paulo, Roberto de Lucena, celebrou o acordo.

Ele afirmou que as políticas criadas pelo acordo refletem o respeito do governo de São Paulo com as pessoas que seguem o islã.

Outro ponto levantado por Lucena é que essas medidas também ajudam a incluir uma parte importante da população de São Paulo:   

Estamos falando de respeito e de paz. A sociedade paulistana também é composta por muçulmanos, e isso também faz todo o Estado ser conhecido por seu papel inclusivo. Portanto, este ato significa um gesto de irmandade com o povo muçulmano”.

A iniciativa segue o plano do governo federal de aumentar o turismo no Brasil e atrair novos públicos.

O turismo de cidadãos dos países árabes é um dos que mais crescem no mundo e deverá movimentar mais de US$384 milhões, o equivalente a cerca de R$2 bilhões, até 2028.

Islã cresce e pode se tornar maior religião do mundo

A taxa média de fertilidade global entre famílias muçulmanas é de 3,1 filhos por mulher, ao passo que casais cristãos chegam a 2,7 filhos

Os dados do Instituto Pew Research apontam que o Islã tem a maior  tendência de crescimento entre as principais do mundo, podendo aumentar 73% a quantidade de fiéis até 2050.

Nesse cenário, a religião atingiria 29,7% da população mundial, se aproximando ainda mais do cristianismo, que deverá seguir com 31,4% dos fiéis.

A pesquisa também ressalta que até 2070, o Islã deverá ultrapassar o cristianismo como maior religião do mundo e superar em 1% o cristianismo até 2100.

Em alguns países da parte ocidental do continente, a parcela da população que segue o islã atinge grandes proporções

Na França, aproximadamente 10% da população total é adepta à religião, aproximadamente 6,7 milhões de fiéis no país.

Em entrevista ao documentário From the River to the Sea, da Brasil Paralelo, o analista Eliyahu Yossian comentou esse fenômeno:

Daqui a cinquenta anos, não existirá mais a França. No mundo muçulmano há uma expressão chamada de Jihad Hashaket. Que significa que, quando um muçulmano se encontra em um país ocidental liberal, ele continua dizendo: nossa arma é o ventre das nossas mulheres.”

Especialista faz alerta para a América Latina

Outro especialista ouvido no mesmo documentário, Mordechai Kedar, disse que o crescimento do Islã não vai ficar apenas na Europa:

Na minha opinião, esse é o mesmo plano para conquistar os países da América Latina de dentro.”

Ele acrescenta que o processo de islamização pode demorar para chegar em países como o Brasil, mas a paciência é uma virtude dessa religião:

Isso pode levar um pouco mais de tempo, mas, no Alcorão há um versículo que diz ‘Alá é o pai da paciência’. Isso pode levar 100 anos, 200 anos, 300 anos, não importa. O futuro pertence a quem tem paciência, e eles têm muita paciência.”

Assista abaixo ao documentário completo e entenda como os conflitos do Oriente Médio podem se espalhar pelo ocidente: