Múmia estava no acervo de um museu polonês desde 1914 e teve sua história perdida durante a Segunda Guerra Mundial.

Múmias são alguns dos objetos mais curiosos e misteriosos que existem. No antigo Egito, eram preparadas com técnica e cuidado, prontas para enfrentar o tempo à espera de uma outra vida.
O que os egípcios não imaginavam é que esses corpos ainda passariam por apuros milênios depois.
Foi o que aconteceu com a múmia de um menino egípcio que morreu há mais de 2 mil anos com cerca de oito anos de idade. Ela sobreviveu ao tempo, mas quase não sobreviveu à Segunda Guerra Mundial.
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
O corpo chegou à Polônia em 1914, quando o Cardeal Adolf Bertram o trouxe para o Museu Arquidiocesano de Wrocław.
Por décadas, ficou preservado no acervo da instituição. Mas os conflitos da época destruíram toda a documentação histórica da múmia. Origem, circunstâncias de aquisição, registros fotográficos. Tudo perdido em 1945.
Por quase 80 anos, o menino egípcio ficou sem história.
Em 2023, pesquisadores da Universidade de Wrocław iniciaram o primeiro estudo científico detalhado da múmia e ficaram surpresos ao descobrir um objeto que atravessou os milênios.
Os resultados foram publicados em março de 2026 na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage.
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
Radiografias e tomografias computadorizadas permitiram examinar o corpo sem danificá-lo.
Os exames identificaram a idade e o sexo do menino, rastrearam sinais de doenças e revelaram os detalhes do processo de mumificação.
O rosto da criança ainda era visível. Segundo os pesquisadores, originalmente havia uma máscara cobrindo o rosto, que não sobreviveu ao tempo.
O corpo não apresentava traumas físicos nem sinais claros de doença. A causa da morte segue desconhecida.
Com base na análise dos restos mortais e nos elementos decorativos que envolvem o corpo, os pesquisadores estimam que o menino provavelmente veio de uma família de classe média de sua época.
Ele seria possivelmente da região de Aswan, no sul do Egito.
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
A descoberta mais intrigante ainda aguarda confirmação. Uma radiografia revelou a presença de um objeto escondido sob o peito do menino.
"Ainda estamos trabalhando na múmia, pois uma radiografia revelou a presença de um objeto no peito. Pode ser um papiro contendo, por exemplo, o nome do menino", afirmou Agata Kubala, pesquisadora da Universidade de Wrocław.
Se confirmado, o papiro poderia revelar a identidade de uma criança que viveu e morreu há mais de dois mil anos e quase teve sua história apagada por uma guerra.
Os pesquisadores seguem trabalhando com cautela. Qualquer erro no manuseio de um material tão antigo e frágil pode destruir para sempre o que ainda resta dessa história.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.