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Múmia de criança de 2 mil anos esconde objeto misterioso que pode revelar sua identidade

Múmia estava no acervo de um museu polonês desde 1914 e teve sua história perdida durante a Segunda Guerra Mundial.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Múmia da Universidade de Wroclaw
Fonte da imagem: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław

Múmias são alguns dos objetos mais curiosos e misteriosos que existem. No antigo Egito, eram preparadas com técnica e cuidado, prontas para enfrentar o tempo à espera de uma outra vida.

O que os egípcios não imaginavam é que esses corpos ainda passariam por apuros milênios depois.

Foi o que aconteceu com a múmia de um menino egípcio que morreu há mais de 2 mil anos com cerca de oito anos de idade. Ela sobreviveu ao tempo, mas quase não sobreviveu à Segunda Guerra Mundial.

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Uma história perdida na guerra

O corpo chegou à Polônia em 1914, quando o Cardeal Adolf Bertram o trouxe para o Museu Arquidiocesano de Wrocław.

Por décadas, ficou preservado no acervo da instituição. Mas os conflitos da época destruíram toda a documentação histórica da múmia. Origem, circunstâncias de aquisição, registros fotográficos. Tudo perdido em 1945.

Por quase 80 anos, o menino egípcio ficou sem história.

Em 2023, pesquisadores da Universidade de Wrocław iniciaram o primeiro estudo científico detalhado da múmia e ficaram surpresos ao descobrir um objeto que atravessou os milênios.

Os resultados foram publicados em março de 2026 na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage. 

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Os cientistas recorreram à tecnologia para identificar o artefato

Radiografias e tomografias computadorizadas permitiram examinar o corpo sem danificá-lo.

Os exames identificaram a idade e o sexo do menino, rastrearam sinais de doenças e revelaram os detalhes do processo de mumificação.

O rosto da criança ainda era visível. Segundo os pesquisadores, originalmente havia uma máscara cobrindo o rosto, que não sobreviveu ao tempo.

O corpo não apresentava traumas físicos nem sinais claros de doença. A causa da morte segue desconhecida.

Com base na análise dos restos mortais e nos elementos decorativos que envolvem o corpo, os pesquisadores estimam que o menino provavelmente veio de uma família de classe média de sua época.

Ele seria possivelmente da região de Aswan, no sul do Egito.

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Objeto misterioso pode revelar a identidade da múmia

A descoberta mais intrigante ainda aguarda confirmação. Uma radiografia revelou a presença de um objeto escondido sob o peito do menino.

"Ainda estamos trabalhando na múmia, pois uma radiografia revelou a presença de um objeto no peito. Pode ser um papiro contendo, por exemplo, o nome do menino", afirmou Agata Kubala, pesquisadora da Universidade de Wrocław.

Se confirmado, o papiro poderia revelar a identidade de uma criança que viveu e morreu há mais de dois mil anos e quase teve sua história apagada por uma guerra.

Os pesquisadores seguem trabalhando com cautela. Qualquer erro no manuseio de um material tão antigo e frágil pode destruir para sempre o que ainda resta dessa história.

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