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Página perdida de manuscrito de Arquimedes é encontrada por acaso

Pesquisador analisava orações medievais quando reconheceu, entre as folhas, figuras geométricas de mais de 2 mil anos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Páginas do manuscrito de Arquimedes
Fonte da imagem: Divulgação/Museu de Belas Artes de Blois

Eureka. Uma das palavras mais famosas da história da ciência nasceu em um momento curioso. O matemático grego Arquimedes entrou na banheira, viu a água transbordar e entendeu, naquele instante, como calcular o volume de qualquer objeto.

O Rei Hierão II havia pedido que ele descobrisse se sua coroa era de ouro puro sem destruí-la. A banheira deu a resposta.

Conta a lenda que Arquimedes saiu correndo nu pelas ruas gritando "Eureka", palavra que em grego antigo significa simplesmente: encontrei.

Mais de dois mil anos depois, uma nova descoberta envolvendo o matemático grego.

Victor Gysembergh estava no Museu de Belas Artes de Blois, na França, analisando folhas com anotações religiosas medievais. Trabalho comum para quem pesquisa documentos antigos.

Então olhou para uma das folhas com mais atenção. Havia figuras geométricas em um dos lados. Então comparou com fotografias históricas tiradas em 1906.

Ele percebeu que aquelas anotações eram uma das três páginas perdidas do Palimpsesto de Arquimedes. O manuscrito era uma cópia feita por monges do século 10

Manuscrito enfrentou guerras e leilões

A história do manuscrito é tão curiosa quanto a da página. De acordo com os pesquisadores, na Idade Média, monges rasparam o pergaminho original para reutilizá-lo em orações. Pergaminhos novos eram caros demais.

O resultado foi um documento em camadas. Embaixo, a matemática de Arquimedes. Por cima, orações e desenhos religiosos. A página encontrada é do tratado Sobre a Esfera e o Cilindro.

O manuscrito sobreviveu na Turquia até 1906, quando o historiador Johan Ludvig Heiberg fotografou todas as suas páginas. Durante a Primeira Guerra Mundial desapareceu.

Reapareceu na França em 1996, em um leilão, porém três páginas não estavam lá. Agora o objetivo é revelar o que ainda está escondido. 

Técnicas como fluorescência de raios X e análise multiespectral vão ser usadas para ler o que permanece oculto sob as camadas medievais.

Arquimedes viveu no século III a.C. Seus textos resistiram a guerras, leilões e monges medievais. Até que alguém encontrou. Eureka!

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