Trump diz que não precisa se preocupar com a paz após perder o Prêmio Nobel do ano passado.

As relações entre os EUA e seus aliados europeus estão em um momento inédito de tensão à medida que Trump ameaça anexar a Groelândia, uma grande ilha que fica próximo aos EUA e pertence à Dinamarca.
O presidente americano afirmou que está falando “muito sério” sobre a possibilidade de assumir o controle da ilha.
A declaração foi reforçada em uma carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, segundo a agência Reuters.
Na mensagem, Trump alega que precisa ter o controle da ilha, que pertence à Dinamarca por questões de segurança:
“O mundo não estará seguro a menos que tenhamos controle total e completo da Groenlândia”, escreveu.
“A Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China”, também ressaltou o presidente no documento.
Outro fator de interesse na região são as enormes reservas de petróleo e terras raras na região.
Com o derretimento das geleiras, essas reservas se tornam cada vez mais acessíveis. Além disso, o derretimento está abrindo novas rotas de navegação mais eficientes.
O trajeto pelo Ártico pode ser até 40% mais curto do que atravessar o Canal de Suez, no Egito.
Segundo relatório do Arctic Concil, o uso das rotas de navegação da região já aumentou em pelo menos 37% na última década.
O governo chinês estaria mostrando interesse em trabalhar com os russos para explorar ainda mais essas rotas alternativas.
A carta de Trump foi uma resposta a uma mensagem conjunta enviada pelo premiê norueguês e pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb.
Os dois criticaram a decisão de impor tarifas comerciais a aliados europeus que se recusam a apoiar os planos de anexação da Groenlândia.
No texto, Trump afirmou que deixou de se sentir obrigado a “pensar puramente na paz” após não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz ano passado.
Ele fez referência direta ao Comitê Nobel Norueguês, sediado em Oslo, ainda que o próprio governo da Noruega não tenha influência sobre a premiação:
"Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar puramente na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América"
Embaixadores dos países da União Europeia realizaram reuniões de emergência. O Conselho Europeu convocou um encontro extraordinário em Bruxelas para discutir uma resposta.
Países europeus anunciaram uma operação conjunta e enviaram tropas para a ilha, entre eles estão:
Autoridades locais reforçaram que a ilha não está à venda. Pesquisas indicam ampla rejeição da população à ideia de se tornar parte dos Estados Unidos.
“A Groenlândia nunca esteve à venda e nunca estará”, afirmou Aaja Chemnitz, parlamentar dinamarquesa eleita pela Groenlândia.
A tensão em torno da Groenlândia acontece em meio a importantes mudanças na geopolítica mundial.
A Brasil Paralelo investigou a trajetória da política internacional no século XXI com a trilogia O Fim das Nações. Assista ao primeiro episódio completo abaixo:
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