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WhatsApp do Comando Vermelho revela como se administra o tráfico no RJ

Grupo com mais de 2.300 mensagens mostra prestação de contas, monitoramento policial e hierarquia das bocas de fumo.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Cidade de Deus
Fonte da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Às 8h da manhã, os gerentes das bocas de fumo da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, enviavam suas prestações de contas.

Tipo de droga, pesagem, valor, quantidade vendida. O mesmo processo se repetia à noite, na troca de plantão. Tudo registrado em um grupo de WhatsApp com mais de 2.300 mensagens.

O material, obtido pelo jornal O Globo, revela como o Comando Vermelho administra o tráfico em pelo menos dez pontos de venda na comunidade, identificados internamente com nomes como Vento, Vasco, Mercadinho, Amendoeira e Bagdá.

Os gerentes chamam cada ponto de "firma" e os usuários de drogas de "fregueses".

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Filho de sargento liderava as operações

Um dos integrantes do grupo era Breno Barbosa Diniz, 24 anos, filho de um sargento da Polícia Militar.

Era ele quem coordenava a operação, definia os horários dos plantões e exigia um padrão rígido de prestação de contas para cada tipo de droga: cocaína, crack, maconha e skank.

"Aí, tropa, todos os responsáveis da mesa mandar assim agora, pra nós poder tá identificando cada preço vendido", escreveu em uma das mensagens.

Breno desapareceu em fevereiro de 2026. De acordo com moradores, foi rotulado como "X9", termo usado para marcar informantes dentro do tráfico.

A Polícia Civil o trata como vítima de homicídio e ocultação de cadáver. Em 19 de março, um mês após o desaparecimento, traficantes da Cidade de Deus fizeram uma celebração.

No mesmo dia, o ferro-velho que Breno mantinha dentro da comunidade foi incendiado. Moradores relatam que ameaças foram feitas a qualquer pessoa que mencionasse o nome do jovem.

O grupo de mensagens abrange o período de agosto a dezembro de 2025 e também mostra como a quadrilha monitorava a movimentação policial. Os traficantes usavam o termo "Cidade dos Porcos" para se referir à Cidade da Polícia, no bairro do Jacaré.

O pai de Breno, identificado com nome fictício de Francisco, segue procurando o corpo do filho.

A capital Carioca se transformou em uma verdadeira zona de guerra em meio às disputas por territórios entre milícias e facções.

A Brasil Paralelo investigou como a cidade maravilhosa foi tomada pelo crime com o documentário Rio de janeiro: Paraíso em Chamas.

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