Saúde5 min de leitura

Cápsulas inovadoras prometem tornar o tratamento do câncer mais preciso, aponta estudo

Novo tratamento entrega o medicamento direto na célula doente e poupa o tecido saudável ao redor

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Pesquisador da Universidade de Aveiro
Fonte da imagem: Universidade de Aveiro

Pesquisadores estão desenvolvendo uma nova forma de tratar o câncer que age célula por célula, sem destruir o tecido saudável ao redor.

A ideia funciona assim: introduzir uma substância específica dentro das células doentes e, em seguida, ativá-la com um feixe de partículas externo.

Quando as partículas entram em contato com a substância, ela reage e destrói a célula por dentro. O que está ao redor não é afetado porque não carrega a substância.

Esse método existe há décadas e se chama Terapia por Captura de Neutrões. A substância tradicionalmente usada é o boro-10, que tem capacidade natural de absorver partículas e liberar energia suficiente para destruir células cancerígenas.

O problema é que ele tem limitações na forma como é absorvido pelo organismo e na quantidade que chega até o tumor.

O que a equipe de Aveiro está fazendo de diferente é substituir o boro-10 pelo lítio-6, outro elemento que funciona de forma parecida, mas que os pesquisadores acreditam ser mais eficiente, liberando mais energia no momento certo e com maior precisão.

É como trocar uma ferramenta que funciona por outra que faz o mesmo trabalho com menos desperdício.

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O desafio é fazer essa substância chegar em quantidade suficiente até as células doentes. Para resolver isso, o projeto aposta nas nanocápsulas de carbono.

Estruturas microscópicas que carregam o composto ativo, protegem ele durante o percurso pelo organismo e o entregam direto no alvo.

"As nanocápsulas demonstraram elevada biocompatibilidade em células não cancerígenas e mostraram capacidade de acumulação eficaz nas células tumorais", afirmou Gil Gonçalves, coordenador do projeto.

Há ainda um detalhe que pode ser útil além do tratamento: as nanopartículas têm fluorescência natural, o que permite acompanhar sua presença dentro das células e monitorar como o tratamento está progredindo.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e a Universidade de Pavia, na Itália.

De acordo com os cientistas, o novo tratamento, que ainda está em fase de testes, pode impactar diretamente na qualidade de vida dos pacientes.

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