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Os brasileiros redescobriram o Paraguai

E o que encontram ali ajuda a explicar por que tantos estão deixando o Brasil.

Por
Francisco Litvay
Publicado em
Bandeira do Paraguai: o país se tornou destino de muitos empresários brasileiros.
Fonte da imagem: Bandeira do Paraguai: o país se tornou destino de muitos empresários brasileiros.

Artigo de opinião.

Paraguai: o mais novo oásis dos brasileiros

Há várias formas de se destruir um país economicamente e chegar ao socialismo. Nem todas envolvem tanques nas ruas ou revoluções armadas. Mas todas passam, em maior ou menor grau, pela destruição da liberdade individual e pela asfixia gradual da iniciativa privada.

Algumas acontecem lentamente, por meio de decretos, regulações, decisões judiciais e impostos que, isoladamente, parecem suportáveis, mas que, somados ao longo dos anos, criam um ambiente onde prosperar se torna um ato de resistência.

Foi assim em Cuba. Foi assim na Venezuela. E, cada vez mais, é assim que o brasileiro atento tem enxergado o próprio país.

Os números não mentem

Em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, o Brasil registrou 1.863 falências de empresas. Nos anos seguintes, houve uma breve estabilização. Em 2022, esse número havia caído para 833. Mas a partir do novo governo Lula, a tendência se inverteu.

Em 2023, o número subiu para 1.405. Em 2024, saltou para 2.273.

Em 2025, explodiu para impressionantes 5.280 falências. Isso representa um aumento de mais de seis vezes em apenas três anos.

Isso é o resultado de um governo que criou um ambiente de crescente insegurança jurídica. O próprio Índice de Estado de Direito do World Justice Project posiciona o Brasil atrás de diversos países latino-americanos em previsibilidade jurídica, no tema limitação aos poderes do governo o Brasil ocupa a 74ª posição atrás de países como Nepal, Kuwait e Senegal.

Com isso, decisões monocráticas passaram a interferir diretamente em setores inteiros da economia como algo normal. Regras mudam com frequência. Tributos são criados a todo vapor, ampliados ou reinterpretados. 

Então, hoje o brasileiro vive sob uma tensão permanente.

Além da insegurança, ele precisa lidar com uma carga tributária alta, 27,5% de IRPF, 34% sobre o lucro de empresas, uma rede quase indecifrável de impostos indiretos,  encargos trabalhistas que chegam a 80% sobre o salário e um sistema onde uma interpretação administrativa pode inviabilizar anos de trabalho.

Mas talvez o aspecto mais perverso não seja só o econômico, mas também o psicológico.

Ainda existe uma cultura que tenta culpar os que prosperam.

E é exatamente nesse contexto que um pequeno país sem litoral, frequentemente ignorado por décadas, começou a aparecer como uma ótima opção para quem busca mais liberdade.

O Paraguai

Durante muito tempo, o brasileiro olhou para o Paraguai com arrogância. O país era associado a contrabando, falsificação e pobreza. Uma caricatura conveniente que ignorava o que realmente estava acontecendo ali.

Mas enquanto o Brasil se tornava mais complexo, mais caro e mais inseguro, o Paraguai simplificava.

E os resultados começaram a aparecer.

Hoje, mais de 200 mil brasileiros têm residência no Paraguai, e esse número está crescendo rapidamente. Somente em 2025, foram mais de 20 mil pedidos de residência por brasileiros.

Não estou falando de aposentados em busca de tranquilidade. Estou falando de empresários, industriais, investidores, desenvolvedores, profissionais altamente qualificados.

Pessoas que simplesmente decidiram sair de um ambiente hostil e migrar para um ambiente funcional.

Mas por que o Paraguai?

Fácil! Diferente do Brasil, no Paraguai, o governo não declarou guerra contra quem produz.

1 - Impostos

O país adota um sistema de tributação territorial. Isso significa que rendas geradas fora do Paraguai não são tributadas. 

Um programador que atende clientes no exterior paga zero imposto sobre essa renda. Um investidor que possui ativos fora do país paga zero imposto sobre esses rendimentos.

Mesmo a tributação local é drasticamente inferior à brasileira.

  • O imposto de renda é de 10%.

  • O imposto sobre consumo é de 10%.

  • Empresas também pagam 10% sobre lucro local, mas empresas estrangeiras podem operar sob o regime Maquila pagando apenas 1% sobre o faturamento.

Além disso, o sistema permite deduções amplas. Escola do filho? Deduz. Gastos do dia a dia? Deduz. Comprou um carro ou uma casa? Deduz e ainda pode carregar o excedente para os próximos anos. 

Exemplo: Se você ganhou US$ 50 mil localmente, gastou US$ 30 mil em despesas dedutíveis, você tributa apenas os US$ 20 mil que sobraram.

Comparando com o Brasil e outros países da América do Sul

Mas os incentivos não param na tributação.

2- Custos

O Paraguai tem um dos custos de vida mais baixos do mundo, da energia ao supermercado, tudo pesa menos no bolso.

Por exemplo: A energia elétrica no Paraguai é entre 40% e 60% mais barata do que no Brasil, graças à abundância gerada por Itaipu e Yacyretá.

3- Residência facilitada

Aos interessados, a residência paraguaia tem início com uma residência temporária, válida por até dois anos, exigindo presença no país apenas uma vez a cada 364 dias para manutenção do status.

Após esse período, é possível solicitar a residência permanente, que oferece ainda mais tranquilidade. Nesse caso, a renovação ocorre somente após 10 anos, e a exigência de presença física é mínima: basta entrar no país uma vez a cada 3 anos para mantê-la ativa.

A residência legal garante o direito de viver no Paraguai, obter documentos locais, abrir contas bancárias e estruturar sua vida no país.

Mas existe uma segunda camada para quem quer ter acesso às isenções fiscais paraguaias: a residência fiscal.

A residência fiscal é um conceito diferente. Ela surge quando você passa a cumprir os critérios de residência tributária, geralmente ao permanecer mais de 183 dias por ano no Paraguai ou ao estabelecer ali seu centro de interesses econômicos e pessoais (manter o RUC ativo e as declarações de IVA em dia).

É a residência fiscal que determina onde você é considerado contribuinte e, consequentemente, onde seus impostos serão devidos. No caso do Paraguai, isso significa acesso ao regime tributário territorial, no qual rendimentos gerados fora do país não são tributados localmente.

4 - Estabilidade política 

O país manteve uma linha política relativamente consistente nas últimas décadas. A direita está há muitos anos no poder e não existe esquerda competitiva no país, apenas 5% dos votos. 

Com isso, o país não entrou em ciclos de radicalização ideológica, não causou explosões fiscais, a dívida pública (em torno de 35,5% do PIB) e a inflação (3-4%) permanecem sob controle.

Enquanto isso, o Brasil segue em um estado permanente de instabilidade política, fiscal e jurídica.

E essa estabilidade tem efeitos diretos na vida cotidiana.

5- Segurança

O Paraguai possui cerca de 7 homicídios por 100 mil habitantes. O Brasil possui aproximadamente 19.

Claro: como toda América Latina, existem zonas ruins. Mas geralmente essas áreas não fazem parte do seu dia a dia. 

Não é São Paulo, onde qualquer bairro pode te surpreender e não é o Nordeste, hoje tomado pelo crime organizado.

6- Liberdade civil

Homeschooling é permitido, qualquer cidadão ou residente permanente pode andar armado (com requisitos básicos: laudo psicológico e ficha limpa) e a cultura local valoriza trabalho, família e propriedade privada.

Não à toa, em 2025, o Paraguai ficou em segundo lugar no mundo no ranking de bem-estar emocional da Gallup. 92% da população declarou experimentar sentimentos positivos no dia a dia. Acima dele, apenas a Dinamarca.

Isso diz muito.

Quando converso com brasileiros que se mudaram para o Paraguai, raramente o motivo é apenas pagar menos impostos.

O motivo é recuperar o controle sobre a própria vida.

É sair de um ambiente onde o Estado é um predador e entrar em um ambiente onde o Estado é, no mínimo, neutro.

Mesmo que o Paraguai não seja perfeito, nenhum país é, e nem a única opção, ele ainda oferece algo que o Brasil tem perdido rapidamente: Liberdade. Portanto, é uma opção que está cada vez mais difícil de ignorar.

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