Tema ganha peso no debate em um ano marcado pelas eleições presidenciais.

O medo da violência ocupa o primeiro lugar entre as maiores preocupações dos brasileiros.
Segundo levantamento da Ipsos divulgado nesta quarta-feira (7), 45% da população apontam o crime como o principal problema do país, à frente da corrupção e da saúde.
O estudo mostra como a insegurança se consolidou no centro da vida cotidiana e do debate público.
Embora o percentual seja menor do que o pico registrado em novembro de 2025, período em que país foi marcado por operações contra o crime organizado, quando chegou a 52%, a violência segue no topo da lista nacional.
De acordo com a pesquisa, o ranking das principais preocupações ficou assim:
Em comparação com o levantamento anterior, a queda na preocupação com violência ocorre após meses marcados por grandes operações policiais, especialmente no Rio de Janeiro. Ainda assim, o tema segue como o principal temor da população.
A pesquisa também revela um sentimento mais amplo de insatisfação. Para 59% dos entrevistados, o Brasil está na direção errada, enquanto apenas 40% acreditam que o país segue no caminho certo.
Esse dado ajuda a contextualizar por que temas ligados à segurança, corrupção e serviços públicos continuam dominando o debate político.
A Ipsos realiza o levantamento em diversos países. No panorama internacional, crime e violência também lideram, mas com menor intensidade, aparecendo como principal preocupação para 32% dos entrevistados.
A principal diferença está no segundo lugar. Enquanto no Brasil a corrupção ocupa essa posição, no mundo a inflação aparece como o segundo maior temor, citada por 30% das pessoas. Em seguida vem a pobreza, com 28%.
A centralidade da violência não aparece apenas nas pesquisas de percepção. Em novembro de 2025, um levantamento da Genial/Quaest mostrou que: 73% dos brasileiros defendem que facções criminosas sejam tratadas como grupos terroristas
Além disso, 86% acreditam que a polícia prende, mas a Justiça solta, por causa de leis consideradas fracas
Na mesma época, a preocupação com violência saltou de 30% para 38%, poucos dias após uma grande operação policial no Rio de Janeiro.
A ação ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha e foi considerada a maior operação policial da história do Brasil. O objetivo era desarticular o Comando Vermelho.
A operação envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e tinha como meta cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão.
O balanço oficial da operação apontou:
O episódio ampliou o debate nacional sobre os limites da atuação policial, o papel do Estado e a eficácia das leis no combate ao crime organizado.
Nesse contexto, o Congresso passou a discutir o PL Antifacção, posteriormente rebatizado de Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. A proposta busca reunir em uma única norma leis hoje dispersas e endurecer o enfrentamento às facções.
Entre os pontos do projeto estão:
Versões iniciais chegaram a equiparar facções criminosas ao terrorismo. A ideia, porém, foi retirada após pressão do governo Lula, da Polícia Federal e do Ministério Público. O texto acabou aprovado no Senado em dezembro.
Com a violência liderando as preocupações da população, analistas apontam a segurança pública como um dos temas centrais das eleições de 2026.
A tendência é que o assunto siga presente no debate político, em propostas legislativas e na formulação de políticas públicas.
Para aprofundar essa discussão, a Brasil Paralelo reuniu especialistas, agentes públicos e analistas em “Entre Lobos”, considerada a maior produção já realizada no país sobre segurança pública.
O documentário analisa as raízes do problema e os caminhos possíveis para enfrentá-lo.
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